DONZELAS FECUNDADAS POR UM DEUS - Mensagem machista por detrás do mito
O homem antigo temia que sua filha, irmã ou esposa se entregasse à relações “pecaminosas”. Basta ver como nos Códigos de Leis o castigo para a mulher que mantinha relações fora do casamento era pesadíssimo. No Código de Hamurabi (séc 18 a.C.), consta que a mulher suspeita de adultério, deveria saltar nas águas de um rio. Na lei de Moisés (Antigo Testamento) a mulher adúltera era morta a pedradas. Se o homem descobrisse que a noiva não era virgem, poderia matá-la na frente da casa de seus pais.
Na intenção de coibir e controlar o desejo feminino, a virgindade foi enaltecida, e a mulher foi convencida de que se tivesse a mesma liberdade sexual que os homens, ela estaria cometendo ato desagradável aos deuses.
Para que a mulher ficasse longe dos prazeres carnais, foi criado o Mito da mãe virgem, que dá à luz um semi-deus (herói), sem interferência de outro homem. Na tradição de vários povos do passado são inúmeros os casos em que um deus fecunda uma mulher na terra, e dessa união, nasce um semi-deus. A sutil mensagem nos diz:
Um. Seria indigno que alguns homens, pelo seu caráter especial, fossem concebidos da maneira tradicional.
Dois. O ato sexual é sujo e pecaminoso, portanto, um semi-deus ou um Salvador não poderiam ter nascido da união carnal entre mulher e homem.
Três. A mãe do semi-deus (herói) ao gerar a criança sem entregar-se ao liquido seminal do homem, estaria acima das outras mulheres.
Quatro. O culto à deusa virgem, que gera uma criança após ter sido fecundada por um deus, comum entre os antigos, incentivaria as mulheres – simples mortais - a valorizarem sua virgindade. Os homens poderiam ir mais tranqüilos aos campos de batalha.
A Bíblia narra que Maria gerou o Salvador pelo poder do Espírito Santo. Apenas Mateus e Lucas mencionam o fato. Marcos e João não dizem nada sobre o nascimento virginal. Nem Paulo, o apóstolo, em suas cartas faz menção ao nascimento miraculoso de Jesus. Isto por que a concepção virginal de Maria foi moldada bem mais tarde aos textos dos Evangelhos.
Mesmo em nosso tempo, esse conto ainda é preservado pela doutrina cristã, e trata-se a meu ver, de um dogma perigoso para a humanidade, sobretudo às mulheres. A Igreja se valeu de muitos mitos “pagãos” e ao reproduzir o nascimento de Jesus igual a de outros deuses redentores, queria dar continuidade ao pensamento da época: seria desonroso que a mãe do salvador tivesse contato carnal com outro homem.
Mas, será que a dignidade de Maria se perde por ter gerado o mestre galileu com a contribuição de José, seu marido? O que haveria de tão desonesto para que a Igreja afastasse José de sua importância na concepção de Jesus?
Não creio que os ensinamentos do mestre diminuam em importância, por ele ter sido gerado através do amor entre José e Maria. Não creio que Maria perca sua força, enquanto mãe de um grande espírito, como o foi Jesus de Nazaré.
Ao contrário do que a Igreja tenta propagar, Maria foi uma mulher como as outras, amou e foi amada pelo seu marido, em todos os sentidos. A própria Bíblia confirma que ela foi perfeitamente normal. Em Mateus 1-24, somos informados que José “não teve relações com ela até quando deu à luz um filho a quem deu o nome de Jesus”. Ora, isso quer dizer que depois dela ter gerado a criança, a vida sexual deles continuou na mais pura normalidade.
No entanto, a tradição cristã, seguindo a moda da época, transformou a concepção de Maria em algo miraculoso, afastando José do evento. Criaram até o dogma da Virgindade Perpétua: Maria teria sido virgem antes, durante e depois da concepção.
Os registros mais antigos de uma concepção milagrosa aparecem na Mesopotâmia, berço da civilização. No épico babilônico, temos Gilgamesh nascido da união entre o rei Lugalbanda e a Deusa Ninsun. Na mitologia greco-romana, era vasto o número de salvadores ou heróis (semi-deuses) nascidos da união de um deus com uma mortal, muitas delas, virgens.
Os gregos conheciam Dionísio (Baco para os romanos), como sendo filho de Zeus com a mortal Sêmele. O semi-deus Hércules (Heracles para os gregos) foi gerado do encontro entre Zeus e Alcmena, mulher de Anfitrião. Parece que naqueles tempos, os deuses tinham uma queda especial pelas mulheres da terra, e nem se importavam se elas já fossem comprometidas.
Pensemos agora em Zoroastro. Sua mãe, ainda virgem, fora fecundada por um raio de luz enviado dos céus por Ahuramazda. Um elefante sagrado visitou em sonhos a virgem Maya, manteve relações com ela, que acaba engravidando do senhor Buda. Como podemos perceber, o mito sempre traz uma mensagem velada. Resta a nós, descobrirmos qual.
Fernando Bastos – http://pensarporsi.zip.net/
Na intenção de coibir e controlar o desejo feminino, a virgindade foi enaltecida, e a mulher foi convencida de que se tivesse a mesma liberdade sexual que os homens, ela estaria cometendo ato desagradável aos deuses.
Para que a mulher ficasse longe dos prazeres carnais, foi criado o Mito da mãe virgem, que dá à luz um semi-deus (herói), sem interferência de outro homem. Na tradição de vários povos do passado são inúmeros os casos em que um deus fecunda uma mulher na terra, e dessa união, nasce um semi-deus. A sutil mensagem nos diz:
Um. Seria indigno que alguns homens, pelo seu caráter especial, fossem concebidos da maneira tradicional.
Dois. O ato sexual é sujo e pecaminoso, portanto, um semi-deus ou um Salvador não poderiam ter nascido da união carnal entre mulher e homem.
Três. A mãe do semi-deus (herói) ao gerar a criança sem entregar-se ao liquido seminal do homem, estaria acima das outras mulheres.
Quatro. O culto à deusa virgem, que gera uma criança após ter sido fecundada por um deus, comum entre os antigos, incentivaria as mulheres – simples mortais - a valorizarem sua virgindade. Os homens poderiam ir mais tranqüilos aos campos de batalha.
A Bíblia narra que Maria gerou o Salvador pelo poder do Espírito Santo. Apenas Mateus e Lucas mencionam o fato. Marcos e João não dizem nada sobre o nascimento virginal. Nem Paulo, o apóstolo, em suas cartas faz menção ao nascimento miraculoso de Jesus. Isto por que a concepção virginal de Maria foi moldada bem mais tarde aos textos dos Evangelhos.
Mesmo em nosso tempo, esse conto ainda é preservado pela doutrina cristã, e trata-se a meu ver, de um dogma perigoso para a humanidade, sobretudo às mulheres. A Igreja se valeu de muitos mitos “pagãos” e ao reproduzir o nascimento de Jesus igual a de outros deuses redentores, queria dar continuidade ao pensamento da época: seria desonroso que a mãe do salvador tivesse contato carnal com outro homem.
Mas, será que a dignidade de Maria se perde por ter gerado o mestre galileu com a contribuição de José, seu marido? O que haveria de tão desonesto para que a Igreja afastasse José de sua importância na concepção de Jesus?
Não creio que os ensinamentos do mestre diminuam em importância, por ele ter sido gerado através do amor entre José e Maria. Não creio que Maria perca sua força, enquanto mãe de um grande espírito, como o foi Jesus de Nazaré.
Ao contrário do que a Igreja tenta propagar, Maria foi uma mulher como as outras, amou e foi amada pelo seu marido, em todos os sentidos. A própria Bíblia confirma que ela foi perfeitamente normal. Em Mateus 1-24, somos informados que José “não teve relações com ela até quando deu à luz um filho a quem deu o nome de Jesus”. Ora, isso quer dizer que depois dela ter gerado a criança, a vida sexual deles continuou na mais pura normalidade.
No entanto, a tradição cristã, seguindo a moda da época, transformou a concepção de Maria em algo miraculoso, afastando José do evento. Criaram até o dogma da Virgindade Perpétua: Maria teria sido virgem antes, durante e depois da concepção.
Os registros mais antigos de uma concepção milagrosa aparecem na Mesopotâmia, berço da civilização. No épico babilônico, temos Gilgamesh nascido da união entre o rei Lugalbanda e a Deusa Ninsun. Na mitologia greco-romana, era vasto o número de salvadores ou heróis (semi-deuses) nascidos da união de um deus com uma mortal, muitas delas, virgens.
Os gregos conheciam Dionísio (Baco para os romanos), como sendo filho de Zeus com a mortal Sêmele. O semi-deus Hércules (Heracles para os gregos) foi gerado do encontro entre Zeus e Alcmena, mulher de Anfitrião. Parece que naqueles tempos, os deuses tinham uma queda especial pelas mulheres da terra, e nem se importavam se elas já fossem comprometidas.
Pensemos agora em Zoroastro. Sua mãe, ainda virgem, fora fecundada por um raio de luz enviado dos céus por Ahuramazda. Um elefante sagrado visitou em sonhos a virgem Maya, manteve relações com ela, que acaba engravidando do senhor Buda. Como podemos perceber, o mito sempre traz uma mensagem velada. Resta a nós, descobrirmos qual.
Fernando Bastos – http://pensarporsi.zip.net/
Fernando Bastos
Publicado no Recanto das Letras em 16/10/2007
Código do texto: T697049
Código do texto: T697049
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